Um pedacinho da minha alma...

terça-feira, 3 de maio de 2011

.: LIFE :.

Imagine um parquinho de diversões, daqueles que os pais levam seus filhos para interagir com outras crianças. A maioria não se conhece, mas todos brincam, sem escolher cor, raça, opção sexual ou religião ; mesmo porque com essa idade ainda não fazemos idéia do que isso tudo significa; eis ai o ponto chave.
Quando somos crianças gostamos de todos, temos mil amigos e pelo menos 5 namoradinhos na escola. Nos apaixonamos por garotos 10 anos mais velhos e classicamente pelo professor de educação física. Sonhamos em ser astronautas, ou no meu caso marinheira (risos). Não vemos maldade nas atitudes, perdoamos com facilidade, choramos e sorrimos pelo menos umas 5 vezes por dia. Vemos o mundo como uma aventura, ficamos completamente extasiados por dormir na casa de uma amiguinha, comemos brigadeiro sem culpa em todas as festinhas. Falamos eu te amo com toda a sinceridade do coração, somos espontâneos, só vamos no colo de quem gostamos. Dançamos sem a mínima vergonha, assopramos as velinhas nos aniversários, dividimos a atenção com as demais crianças, principalmente com as menores, todos sempre assopram as velinhas com você. Não ligamos se aquele primo chato apareceu na festa, não esperamos nada e ninguém, ficamos felizes em fazer aniversário. Abrimos todos os presentes, e todos eles perdem logo o valor, facilmente são descartados por algo novo.

Pena que essa fase dura pouco, a mágica acaba. Começamos a escolher com quem ter amizade, seja pela aparência, pela idade, os grupos se subdividem pelas intenções. Perdemos a forma simples de ser, começamos a ter vergonha do que somos, a medir palavras e atitudes, com medo do que os outros vão achar, afinal, queremos nos manter no "grupo".
As festas de aniversário não são mais as mesmas, não nos importamos com o aniversário em si, e sim quem irá comparecer nele. Não queremos convidar aqueles "NERDS", ou os famosos excluídos, sofremos se o garoto mais bonito da escola não vai, ou se aquele paquera fica de conversinha com sua melhor amiga. Passamos a sentir vergonha, principalmente na hora do parabéns. Não abrimos todos os presentes, mas queremos ganhar muitos, e infelizmente começamos a ser materialistas. Não falamos mais eu te amo, principalmente para nossos pais, imagina se o pessoal da escola sabe disso? Dar selinho na mãe então, é o cúmulo da vergonha.
Nos agrupamos por status, não pela real essência das pessoas. Perdemos aquele brilho, não somos mais um só e sim um grupo.

Quando amadurecemos começamos a dar valor a primeira fase, ou pelo menos a maioria deveria, aquela em que somos verdadeiros, independente do que os outros achem. Fica explícito que somos sozinhos e agora nenhum grupo te pertence, você vive em uma diversidade e é assim que deve ser. Conhecemos pessoas de diversas religiões, de raças distintas, com lições de vida ainda mais diferentes que a sua, e aprendemos com elas. Deixamos o orgulho de lado, falamos eu te amo para quem realmente merece ouvir, sentimos falta de nossos pais e da facilidade com que expressávamos nossos sentimentos. Nos arrependemos por deixar de lado algo tão importante, tão simples e corremos atrás, tentamos reverter isso.
Voltamos a dançar sem vergonha, sem ritmo, sem graça, agora tanto faz, não precisamos agradar ninguém. Aprendemos que o vazio não agrada, muitas vezes é mais interessante ficar em casa e ver um bom filme, do que sair e encher a cara, principalmente com pessoas que não nos acrescentam em nada. O verdadeiro amigo é aquele que te aceita exatamente assim, do seu modo, a sua maneira, agora as coisas passam a ter mais sentido. O amor é a união de sentimentos, misturado com respeito, companheirismo e sinceridade. Defeitos e qualidades, soma e não divisão, admiração e apoio, luta, crescimento. Nossa, porque aprendemos isso tão tarde?
O tempo não importa, feliz é aquele que vive tempo suficiente para aprender, seja com seus erros, seja com as falhas dos outros. Feliz é aquele que tem tempo de reverter acontecimentos, mudar o final e não o começo, perdoar, se perdoar.
Feliz é aquele que vive bem consigo mesmo, sem esperar do outro o que deveria ser feito por si mesmo. Feliz é aquele que aprendeu a se amar, se respeitar, sem se cobrar, afinal, podemos sim ser mais do que um. Porque construir uma máscara dura, com um sorriso estampado na cara? Ser séria ou puritana? Sorrir quando se quer chorar?
Feliz é aquele que consegue conviver com seus diversos eu's, e principalmente, feliz é aquele que consegue amar cada um deles, com seus defeitos e qualidades.

6 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muito desse. A tempos não comento, a tempos ando bem longe, longe de tudo e todos, excesso de trabalho.A maturidade cobra, a responsabilidade afoga, a necessidade força.Derrepente essa rotina quebra, pelo simples ato de ler um texto, um pequeno texto que mostra exatamente como eramos.Um texto pelo qual passamos sem poder desviar de cada um desses acontecimentos descritos.
Uma vida, um epílogo um próximo capítulo.Fica bem.Bjo

Bruninha disse...

Como sempre escrevendo muito bem. Adorei o texto e principalmente a ultima parte: Feliz é aquele que consegue conviver com seus diversos eu's, e principalmente, feliz é aquele que consegue amar cada um deles, com seus defeitos e qualidades. Muito bom. Parabéns.

B.R.U disse...

Adorei o texto e principalmente esta parte: Feliz é aquele que consegue conviver com seus diversos eu's, e principalmente, feliz é aquele que consegue amar cada um deles, com seus defeitos e qualidades. Parabéns pelas palavras. Bjs.

Caioni disse...

sempre ótima com as palavras..
me faz refletir..
sdds.. bjo

Laura disse...

Ótimo texto, ótimo português e excelente escolha de tema. Caiu como uma luva para mim. Parabéns lindona!! Continue escrevendo...palavras sábias são sempre de bom grado!!

Amanda Lomar disse...

Meu Deus do céu Amanda! Como uma pessoa pode ser tão maravilhosa a ponto de deixar outras pessoas que nem se conhece, tão sensível e sentimental a ponto de lhe fazer deramar lágrimas? Menina, não te conheço (ainda), mas saiba que tu tens uma fã (e chará). Vc é linda linda linda! Bjo! Amanda Lomar